Aventura e Catarse no Caminho de Santiago

Mar 31st, 2014

Feature Photo

E tudo começou com…

Paula: Patrícia tenho um desafio a propor-te: fazer o Caminho de Santiago! Patrícia: Boa, eu também gostava de fazer!
Paula: Mas era a correr…
Patrícia: A correr? Acho que não aguento!
Paula: Aguentas, aguentas…

Aquilo que começou com um desafio, acabou por se tornar um projeto e até se encontrou um grupo que tinha o mesmo objetivo: terminar o caminho e atingir a superação.

Malas feitas, partida da Sé do Porto, e vamos nós a caminho dos primeiros 63 km do Caminho. Primeira etapa com muita estrada e também em maior velocidade, eis-nos chegados a Barcelos ao fim da tarde e já com 54 km.

Ribeiro

Decidimos continuar até Tamel, onde iríamos pernoitar. Aí, encontramos estrada pelo meio de bosques, já escuro (e ninguém se lembrou dos frontais que ficaram na carrinha), em que o grupo se dispersou um pouco e que nos levou a percorrer o caminho de mão dada para não tropeçar e sem saber onde colocávamos os pés. Já muito cansados chegamos ao Albergue onde dormimos 12 no mesmo quarto!

O 2º dia, já com o corpo cansado, e a caminho de Rubiães, paramos em Ponte de Lima para crioterapia de grupo no rio.

Ponte de Lima - Rio

Depois do almoço, apanhámos a serra da Labruja, onde um se perdeu e se atingiram os 100 km. Aqui todos interiorizaram que o caminho é para fazer com o prazer da superação, a entreajuda e animação de todos, sem pressas, porque Santiago é já ali.

Chega-se ao 3º dia, foi o dia de todos experimentarem e reverso da superação, a provação. Muito calor, muitos km nas pernas e muita fadiga mental, associado a um abastecimento mais tardio e a mudança da hora pela entrada no país vizinho. Esta etapa com menos beleza natural que as anteriores, mas mesmo assim atingida com superação e admiração de nós próprios, como se a cabeça comandasse, independente das dores que o corpo sente.

E vem o 4º dia da aventura. Parecia que já quase tínhamos um pé em Santiago. Foi a segunda superação, atingimos os 200 km com muita introspeção. Constatámos que o caminho se sente mesmo a correr, ainda que em corrida lenta.

Ditado

E por fim, 5º dia e última etapa. De repente, as dores musculares parecem nada significar e tentamos desfrutar o máximo daquele que é o último dia do Caminho; com a triste sensação de que a aventura estava a chegar ao fim, mas felizes por atingir o objetivo.

Companheiras

Aquele que parecia mais cansado e desgastado, ganhou asas nos pés e foi o motor do grupo da parte da tarde, talvez movido pelo amor à família que se encontrava em Santiago à sua espera.

Ainda sentimos no horizonte de Milladoiro o cheiro da adrenalina, de onde avistamos a Catedral de Santiago. A chegada, estava então muito próxima.

Faltariam cerca de 3 km, os derradeiros que culminaram num sprint de mãos dadas, com forças vindas não sabemos de onde, quase como se houvesse um tal chamamento divino.
De repente, chamadas pelo resto do grupo, entramos todos juntos na praça e fez-se silêncio. O silêncio da assimilação da chegada, cheio de emoção e muita alegria. Em seguida muitos abraços de congratulação do feito e coloca-se a questão nas nossas cabeças: E agora?

Chegada

Agora o Caminho continua…

5 a 9 de Março 2014

Patrícia Pereira
Paula Quintela